Cibersegurança

Deepfakes: o que são, como são usados e dicas para se proteger

Deepfakes estão se tornando uma ferramenta poderosa para golpes digitais — entenda como funcionam e como se proteger dessa ameaça crescente.

Por: Hacker Rangers
deepfake

Você já ouviu falar no termo deepfakeEmbora não seja exatamente uma novidade, essa tecnologia está sendo cada vez mais usada pelos criminosos cibernéticos. As ameaças relacionadas a deepfakes cresceram rapidamente nos últimos anos. O número de arquivos de deepfake saltou de 500 mil em 2023 para mais de 8 milhões em 2025, evidenciando a dimensão desse risco emergente. Somente em 2024, as empresas perderam, em média, quase US$ 500.000 por incidente envolvendo ataques com deepfake. Como esperado, um dos vetores de entrega mais comuns continua sendo o e-mail, frequentemente utilizado em campanhas de phishing altamente direcionadas

Mas, no fim das contas, você sabe o que é deepfake? Basicamente, é uma tecnologia que usa algoritmos de inteligência artificial e aprendizado de máquina para a criação de montagens de vídeo e imagens extremamente realistas, que mostram pessoas fazendo coisas que nunca fizeram na vida real. Tudo o que você precisa é de um algoritmo pronto para essa finalidade e algumas “amostras” daquilo que se pretende falsificar: uma mensagem de voz, uma foto ou um vídeo. Pronto, o sistema de aprendizagem de máquina aplica o rosto ou a voz escolhidos a clipes já existentes.

Os vários usos no cibercrime

No início, os deepfakes eram empregados em situações bastante específicas, geralmente com o objetivo de disseminar informações falsas para manipulação da opinião pública na política. 

Contudo, o deepfake está se popularizando de forma mais abrangente entre os cibercriminosos, que passaram a utilizar a técnica para elaborar campanhas de phishing altamente direcionadas e realistas. Imagine, por exemplo, receber uma mensagem de áudio com o tom de voz e cadência de fala fiéis aos do seu superior, solicitando uma transferência bancária urgente. Ou até mesmo entrar em uma reunião falsa que simula precisamente a imagem do seu chefe. É uma forma bem mais convincente de enganar um colaborador do que um simples e-mail falso, não é mesmo?

Acredite ou não, mas já foram registrados vários incidentes nos quais o uso de deepfakes para fins maliciosos tiveram sucesso. O CEO de uma empresa de energia britânica transferiu nada menos do que US$ 243 mil após receber uma mensagem de áudio simulando com perfeição a voz de um colega de trabalho que também era do alto escalão. Obviamente, a conta corrente para a qual a transferência foi solicitada era do estelionatário, e não do colega em questão.

Indo além do phishing, os deepfakes também podem ser usados para chantagear executivos. Um meliante é capaz de manipular um vídeo constrangedor usando o rosto de seu alvo e extorqui-lo sob ameaça de divulgar o clipe. 

Um golpe difícil de identificar

Infelizmente, o deepfake pode vir em diversos formatos e sua detecção ainda é uma tarefa bastante desafiadora. Afinal, muitos colaboradores mal sabem que esse tipo de tecnologia existe: de acordo com a Kaspersky, mais de 65% dos brasileiros não sabem o que é deepfake.

Os cibercriminosos estão incorporando cada vez mais deepfakes em seus métodos de ataque como forma de contornar os controles de segurança tradicionais. O que antes era usado principalmente para manipular opiniões ou disseminar desinformação evoluiu para uma ameaça mais sofisticada. Hoje, a tecnologia de deepfake é utilizada para atingir diretamente organizações, permitindo que atacantes se passem por pessoas confiáveis, obtenham acesso não autorizado e aumentem a eficácia de ataques de engenharia social.

Felizmente, especialistas descobriram uma forma simples de detectar um deepfake em chamadas de vídeo: basta pedir para que o interlocutor vire para o lado. A maioria dos algoritmos ainda é ineficiente em simular rostos nessa posição. Já no que diz respeito às simulações de voz, a dica continua sendo a mesma usada para lidar com as campanhas de phishing tradicionais — sempre que receber uma solicitação suspeita, verifique (se possível, pessoalmente) se a demanda é real antes de realizar qualquer ação.

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